Arte em Linha Recta

Monday, March 21, 2005

A Ausência de Massa em Anthony Gormley



Anthony Gormley deixou finalmente de lado as esculturas compactas em bronze, para criar um conjunto de figuras de grande leveza formal. De facto, aquelas esculturas que pesavam toneladas, e exigiam a presença de poderosas empilhadoras para as transportar, não eram nada práticas. Desta forma, Gormley não só passou a poder transportar a suas próprias esculturas "debaixo do braço", como libertou financeiramente as instituições (museus e galerias) que organizavam exposições do seu trabalho. Se este escultor fosse português, poderiamos até interpretar esta nova fase da sua obra como uma reacção à política dos "cortes orçamentais". Felizmente Gormley não é português, porque se assim fosse teria que dar aulas no ensino secundário, trocar o seu talento pelos exercícios básicos sobre a linguagem visual (o ponto, a linha, etc.) e esperar no mínimo quatro décadas para expor em centros artísticos internacionais.
Este conjunto de esculturas figurativas têm diversas características que importa destacar: o facto de cada uma das figuras ter uma espécie de identidade própria, na medida em que apresenta determinados traços particulares. Por outro lado, a estrutura de cada peça permite-nos observar em simultâneo, o todo da obra e cada uma das figuras isoladamente, criando uma relação ambigua entre a obra e o espaço que a circunda. Neste caso, o espaço é um elemento activo na construção da escultura tornando-se parte integrante da obra. Para concluir, pensamos que o escultor adquiriu um novo tipo de maturidade plástica, que se revela não só pelo processo de simplificação formal, mas sobretudo pela exploração de um novo conceito.